Esse é mais um livro onde o Humberto nos presenteia com fatos divertidos e inéditos de sua vida pessoal. Trata-se, basicamente, uma autobiografia, mas sem a linearidade típica do gênero. Com linguagem descontraída, o autor propõe um bate-papo com o leitor que, ao término da leitura, possivelmente, sairá com uma lista repleta de referências de filmes, discos, livros, músicas, bandas interessantes para pesquisar.
É um aulão maravilhoso sobre pop e sobre História (com destaque para a linha do tempo que Humberto produziu no final. Fantástica!). Apesar da linguagem típica (e adorável) gessingeriana, Mapas do acaso é mais pessoal e menos sequencial do que Pra ser sincero, livro anterior (resenha aqui no blog) que traz mais detalhes sobre suas bandas (em especial, Engenheiros do Hawaii). Um fato que pode ser notado no livro é o link entre os acontecimentos da vida de Humberto e os trechos de diversas músicas que compôs ao longo do tempo. Alguma dúvida de que todas são compostas com o coração?
Não é a rima, não é o interesse no agrado da crítica ou numa letra que “pegue fácil”. Cada produção esconde (ou mostra) um fato sobre a trajetória de Humberto, seja um livro que marcou, uma cena na cozinha da avó quando criança, uma sensação num quarto de hotel, uma final de partida de futebol. Nada se perde, tudo vira arte porque tudo é captado intensamente. Trata-se de sensibilidade, do compromisso de fugir do “mais do mesmo”, de se entregar à essência. É mais um presente que a mente surreal do Humberto traz para quem adora os oxímoros característicos de seus textos e suas letras. É um conjunto detalhado de notas mentais próprias que ele partilha e que a gente anota na agenda pra levar pra vida.
E falando em vida, vai aí mais uma nota pra essa: não deixar de ler!


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